Imagine que você, leitor(a), precisou fazer uma viagem até o município de Campo Grande, no Rio de Janeiro. O trajeto mais rápido até o seu destino passa obrigatoriamente pelo bairro de Santa Cruz, que muita gente acha que é uma cidade, por conta do tamanho.
Aí, quando você entra no bairro e dá uma olhada para o céu, pela janela do carro, dá de cara com uma aeronave gigante, parecida com um balão imenso. O pior é que não é isso que te deixa mais estarrecido: uma insígnia nazista, na lateral da aeronave, é o que mais te assusta.
Guardadas as devidas proporções, a cena descrita neste texto aconteceu e está devidamente documentada no livro mais recente do escritor e jornalista Ruy Castro: “Trincheira Tropical: A Segunda Guerra Mundial no Rio”.
O volume foi lançado em junho de 2025 pela editora Companhia das Letras. Nele, Ruy Castro reconstitui o clima político, social e cultural do Rio de Janeiro entre os anos de 1935 e 1945, ou seja, vai do período anterior ao início da Segunda Guerra Mundial até o final do conflito.
E se o leitor ainda acha que esse Brasil polarizado de agora é uma exclusividade destes tempos, fica a dica de uma obra literária que vai provar o contrário. Integralistas e comunistas lutando pelos corações e mentes das pessoas, o presidente Getúlio Vargas mordendo e assoprando para os Estados Unidos e para a Alemanha, até finalmente se decidir por um direcionamento – ou melhor, por um lado mais vantajoso.
É mais uma história apaixonante e num ritmo frenético e fluido, daquele jeito que os fãs da escrita de Ruy Castro tanto amam – este jornalista que vos escreve incluso.
“Trincheira Tropical” desmancha uma ideia que muita gente pode ter sobre a participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial, mostrando que as movimentações e tensões relacionadas ao conflito vão muito além da entrada propriamente dita do país nas frentes de batalha da Europa.
Para aqueles que desejam aprender um pouco mais sobre um momento pouco conhecido da nossa história, que tem como personagem principal a linda e movimentada cidade do Rio de Janeiro, a obra mais recente do escritor é um ótimo convite para servir à pátria literária brasileira, que aliás, cada vez mais, precisa de “recrutas”.

