terça-feira, janeiro 20, 2026
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Curso de medicina de Angra obteve nota mínima em exame de avaliação

Dos 351 cursos de medicina avaliados na primeira edição do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), realizada em 19 de outubro de 2025, 107 poderão sofrer sanções após avaliação considerada ruim, com notas variando entre 1 e 2 numa escala onde o valor máximo é 5.

O número de notas insatisfatórias representa 30% dos cursos avaliados. As punições para os 24 cursos que tiraram nota 1, como o de Angra dos Reis, oferecido pela Universidade Estácio de Sá, e os 83 que tiraram nota 2 poderão incluir corte de vagas, suspensão do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e impedimento de novos ingressos.

O Enamed é uma avaliação anual coordenada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) para medir a qualidade da formação médica no país. Cerca de 89 mil estudantes de medicina participaram da primeira edição do exame, entre alunos em formação e concluintes.

Entre os formandos, apenas 67% demonstraram conhecimento suficiente. Quase 13 mil alunos não atingiram resultado hábil, o que gera preocupação, já que estes estão prestes a atuar na área de saúde pública e privada.

Entidades contestam exame

Os resultados do Enamed foram divulgados na última segunda-feira, 19 de janeiro de 2026, em uma reunião conduzida pelo Ministério da Educação que contou com a presença da imprensa e a participação do Ministério da Saúde.

A partir da divulgação, a Associação Nacional das Universidades Particulares (Anup) publicou nota em que declara estar acompanhando a divulgação dos resultados e defende que há divergências entre os dados apresentados recentemente e as informações preliminares reportadas às instituições, principalmente aquelas relacionadas à quantidade de estudantes considerados proficientes, ou seja, aqueles que apresentam domínio avançado e a capacidade de aplicar esse conhecimento de forma eficiente e precisa.

A Anup afirma que segue esperando por esclarecimentos técnicos do Ministério da Educação (MEC) e do Inep antes de oferecer uma posição conclusiva a respeito da avaliação – na última semana, a entidade entrou com um pedido judicial na intenção de que o resultado do Enamed não fosse divulgado, mas não obteve sucesso.

Outra entidade que também demonstrou descontentamento com os resultados do exame foi a Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES). A entidade efetuou críticas ao direcionamento do MEC quanto às consequências regulatórias posteriores ao exame.

Para a AMBES, colocar em prática regras referentes ao Enamed apenas após a aplicação da prova estaria indo de encontro a questões básicas de previsibilidade, transparência e segurança jurídica.

Ainda segundo a associação, a primeira edição do Enamed foi efetuada antes de qualquer divulgação pública de critérios fundamentais relativos ao exame, caso dos parâmetros de desempenho, cortes de proficiência e das consequências ligadas às notas.

A posição da Universidade Estácio de Sá

De acordo com a relação de cursos de medicina que participaram da primeira edição do Enamed, o de Angra, oferecido pela Universidade Estácio de Sá, foi avaliado com o conceito 1, o menor numa escala onde 5 é a maior nota.

Ainda segundo os resultados finais dos cursos avaliados, o de Angra apresentou 81 alunos concluintes inscritos, com 80 deles participando efetivamente do exame. Destes, 17 alcançaram nível igual ou superior à proficiência exigida pelo Enamed, o equivalente a um percentual de 21,3%.

A equipe de jornalismo da Rádio Costazul FM entrou em contato com a assessoria de imprensa da Universidade Estácio de Sá a respeito do tema. Eles enviaram uma nota oficial, cuja conteúdo você lê abaixo, na íntegra:

Os exames de fim de curso são instrumentos tradicionais para o trabalho de melhoria do nosso ensino, mas essa primeira edição do Enamed revelou tantos pontos de fragilidade que, no nosso entendimento, não refletem a realidade acadêmica oferecida pela Universidade.

Além da falta de incentivos reais para que os alunos se preparem para a prova, de amostras mais adequadas e de critérios mais robustos para o tratamento das notas, houve divergência entre os dados disponibilizados oficialmente em dezembro e os usados para o cálculo final dos indicadores, o que exigiria uma análise bem mais cuidadosa, para que todos possam confiar nos resultados.

Essa será a posição que vamos apresentar ao órgão regulador ao longo dos próximos 30 dias, prazo previsto para análise em profundidade de cada caso.

Um aspecto bem importante, que pode estar passando despercebido, dá-se com relação aos atuais estudantes e aos docentes. Esses resultados geram ansiedade e preocupação na comunidade acadêmica. Gostaríamos de reforçar: nosso modelo de ensino, corpo docente, os campos de prática e toda a estrutura da instituição são muito sólidos e de qualidade, além do significativo percentual de aprovação de nossos egressos em programa de Residência Médica. Queremos compartilhar a mesma segurança e a mesma tranquilidade com nossa comunidade, a despeito desses indicadores divulgados, que precisam ser revisitados de forma bem detalhada, técnica e criteriosa.

O que pode acontecer com os cursos com notas 1 e 2?

Os cursos com notas consideradas insatisfatórias, entre 1 e 2, e que estão inclusos no Sistema Federal de Ensino, caso de universidades federais e instituições privadas, terão que integrar um processo de supervisão que incluirá a possibilidade de medidas cautelares. 

Um total de 99 cursos se encontra neste patamar específico. Por sua vez, as instituições públicas estaduais, distritais e municipais não vivenciam esse processo, por conta de serem supervisionadas por conselhos e secretarias de educação em nível local.  

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