segunda-feira, fevereiro 23, 2026
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Craque do machismo? Jogador do Bragantino desmerece árbitra de jogo

Mesmo após o fim da partida contra o São Paulo, no último sábado (21), no Estádio Municipal Cicero De Souza Marques, em Bragança Paulista, o zagueiro Gustavo Marques, do Bragantino, não queria aceitar a derrota por 2 x 1. Assim, em entrevista cedida à emissora TNT, ele resolveu driblar a educação, o respeito e a noção de igualdade, ao questionar a escalação da árbitra Daiane Muniz de uma forma absolutamente equivocada. Como resultado, pode ter se tornado o novo craque. Não da partida, mas do machismo.

“Primeiramente, quero falar da arbitragem porque não adianta jogar contra São Paulo, Palmeiras, Corinthians e eles colocarem uma mulher para apitar um jogo desse tamanho. Era nosso sonho chegar à semifinal, ou até a final, mas ela acabou com nosso jogo. Acho que a Federação Paulista tem que olhar para os jogos desse tamanho e não colocar uma mulher. Todo respeito às mulheres do mundo, sou casado, tenho minha mãe, então desculpa se estou falando alguma coisa para as mulheres”, disse o zagueiro.

A declaração de arrependimento pelo comentário chegou rápido. Nas redes sociais, o jogador pediu desculpas pelas declarações cedidas depois do jogo, que acontecia pelas quartas de final do Campeonato Paulista.

“Estava de cabeça quente e muito frustrado pelo resultado da nossa equipe e acabei falando o que não deveria e poderia. Isso não justifica minha atitude e peço desculpas a todas mulheres e em especial a Daiane […]. Espero sair desse episódio uma pessoa melhor. Prometo aprender com esse erro”, declarou Gustavo.

A equipe do Bragantino emitiu nota oficial lamentando a fala do jogador. O comunicado deixa claro que uma punição a ser oferecida a Gustavo também estará sendo estudada nos próximos dias; já a Federação Paulista de Futebol (FPF), afirmou que encaminhará a declaração de Gustavo Marques à Justiça Desportiva, e se pronunciou de forma ainda mais firme.

“É com profunda indignação e revolta que a Federação Paulista de Futebol recebeu a entrevista do atleta Gustavo Marques, do Red Bull Bragantino, após a partida contra o São Paulo […]. Uma declaração em relação à árbitra Daiane Muniz que reflete uma visão primitiva, machista, preconceituosa e misógina, incompatível com os valores que regem a sociedade e o futebol. É absolutamente estarrecedor que um atleta, em qualquer circunstância, questione a capacidade de um árbitro com base em seu gênero. A FPF tem orgulho de contar em seu quadro com 36 árbitras e assistentes e continua trabalhando ativamente para que este número cresça […]. A FPF encaminhará tais declarações à Justiça Desportiva, para que esta tome todas as providências cabíveis”.

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