Ao desembarcar no Aeroporto Internacional de Stewart, nos Estados Unidos, o presidente da Venezuela – ou ex? -, Nicolás Maduro, não aparentava ter tido tempo hábil de processar tudo o que aconteceu. Acompanhado da esposa, Cília Flores, ele havia sido capturado em Caracas, capital de seu próprio país, na madrugada de sábado (3), por meio de uma operação militar americana. No mesmo dia, à noite, já estava nas terras de Donald Trump, sendo conduzido em direção a um presídio.
A operação militar que retirou Maduro do poder à força envolveu cerca de 150 aeronaves e teria deixado um saldo de 40 mortos entre militares e civis venezuelanos. A ação foi planejada por meses, e agora, ele e a esposa deverão ser processados por tráfico internacional de drogas, mesmo que a acusação ainda não conte com apresentação pública de provas por parte do governo norte-americano.
Maduro passou a noite no Centro de Detenção Metropolitano (MDC) do Brooklyn, em Nova York. O presídio abriga presos provisórios e condenados considerados de alta periculosidade. Agora, também conta com um presidente de um país da América do Sul entre seus mais de 1.300 detidos.
Coletiva de imprensa ou “quem manda aqui sou eu”
Numa coletiva de imprensa realizada no sábado (3), às 11h da manhã (horário de Brasília), em Palm Beach, na Flórida, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que o próprio governo americano vai cuidar do país latino-americano até que seja possível efetuar uma transição de poder.
Não foram discutidos maiores detalhes sobre a administração estadunidense da Venezuela e tampouco o período em que o país sul-americano será comandado pelo governo Trump. De qualquer forma, houve tempo para o presidente dos EUA afirmar que os americanos vão controlar a indústria do petróleo venezuelano.
Trump disse que será efetuada uma reforma na estrutura petrolífera da Venezuela. A operação custará bilhões de dólares, segundo o presidente, mas esse valor será pago diretamente pelas empresas americanas.
Ainda de acordo com Trump, a indústria de petróleo da Venezuela teria sido construída pelos grupos americanos, mas estes tiveram suas instalações expropriadas pelos governos de Hugo Chávez e Nicolás Maduro, integrantes de um mesmo grupo político do país.
Venezuela: cheiro e aparência de ditadura desde o começo
Maduro estava à frente da Venezuela desde 2013, sendo o sucessor direto de Hugo Chávez no país. Antes de morrer, no mesmo ano, Chávez já havia pedido que a população votasse em Maduro como seu sucessor, caso ele não se curasse do câncer que estava tratando.
E foi isso que aconteceu: com o falecimento de Chávez, uma nova eleição foi realizada no dia 14 de abril de 2013. Maduro, da situação, ganhou de Henrique Caprilles, candidato da oposição, por uma diferença de pouco mais de 1% dos votos.
Seguiram-se acusações de irregularidades na votação e declarações de observadores internacionais apontando o uso da máquina estatal e de recursos públicos na campanha de Maduro. Eis que o nascimento da crise de legitimidade gerou um governo com cheiro e aparência de ditadura.
E agora, Delcy?
O Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela (TSJ) bateu o martelo e afirmou que, após a captura de Nicolás Maduro, quem tem que assumir a presidência interina do país é a vice‑presidente executiva, Delcy Rodríguez.
Desta forma, Delcy será a primeira mulher na história do país a comandar o executivo. No mesmo comunicado emitido, o TSJ exigiu que tanto Delcy quanto o Conselho de Defesa Nacional, o Alto Comando Militar e o Parlamento sejam imediatamente notificados de forma oficial sobre a decisão.
Mesmo que o comunicado não ofereça instruções sobre a possível cerimônia de posse, amanhã, segunda-feira, 5 de janeiro, deverá ser um dia de mais emoções fortes no país. Na data em questão, está marcada a posse do novo parlamento – majoritariamente dominado pelo regime de Maduro -, que deverá atuar até o ano de 2031.

