Só quem viveu a paranoia nuclear dos anos de 1980, por conta da Guerra Fria entre os Estados Unidos a extinta União Soviética, sabe o quão real foi o medo de um holocausto atômico.
Para aumentar esse temor, obras como o filme americano “O Dia Seguinte”, de 1983, e o acidente na usina de Chernobyl, na União Soviética, em abril de 1986, reforçaram ainda mais o imaginário de quem estava no planeta naquela década.
Aqui no Brasil, um acontecimento trágico inseriu um pouco mais de drama nesse cenário, mesmo que por caminhos diferentes. E é justamente desse fato que se trata “Emergência Radioativa”, que estreou na Netflix em 18 de março de 2026.
Com cinco episódios no total, a série brasileira é dedicada a reconstituir um dos maiores acidentes radiológicos do mundo, que aconteceu em setembro de 1987, em Goiânia, capital de Goiás.
A história mostra o quanto a exposição ao césio-137, um pó azul brilhante que foi retirado de uma máquina de radioterapia abandonada, afetou moradores e causou oficialmente quatro mortes.
Na produção brasileira, que mistura ficção e realidade, acompanhamos o protagonista Márcio, interpretado pelo ator Johnny Massaro. Ele é um físico que, ao visitar o pai, em Goiânia, acaba caindo de paraquedas na trama, e passa a tentar resolver o problema.
O drama dos primeiros moradores contaminados é um dos destaques da série. Dois deles encontram uma peça de chumbo em um hospital desativado e vendem o material para um ferro-velho. Lá, o objeto é aberto, revelando um pó brilhante que acaba se tornando uma atração para homens, mulheres e crianças: uma atração fatal.
Além de conseguir jogar luz sobre uma triste e verídica história brasileira, o diretor Fernando Coimbra também tem méritos ao conseguir imprimir uma narrativa ágil e tensa ao longo dos episódios, o que faz com que o espectador não consiga desgrudar da tela.
Mesmo recorrendo à ficção em muitas situações, “Emergência Nuclear” demonstra competência e brilhantismo ao relembrar um acidente muito sério, que causou mortes e ficou na lembrança do país por muito tempo.
A série chega aos streamings após os desastres socioambientais de Mariana e Brumadinho, de uma pandemia mundial e em tempos de novas guerras, frias e quentes. São os anos 80 e eles, ao que parece, estão de volta… Em pleno 2026.

