quinta-feira, março 12, 2026
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“Out of Time” 35 anos: disco da banda americana R.E.M. segue atemporal

Fora do tempo ou à frente dele? É com uma pergunta da qual eu acredito saber a resposta, que dou início a este texto sobre os 35 anos de lançamento do disco “Out of Time”, da banda americana de pop/rock conhecida como R.E.M.

Em português, a sigla que denomina o grupo formado em 1980 por Michael Stipe (voz) Peter Buck (guitarra), Mike Mills (baixo) e Bill Berry (bateria) significa “movimento rápido dos olhos”, fase do sono caracterizada por intensa atividade cerebral, sonhos vívidos e paralisia muscular temporária. 

Estranhíssimo nome para um grupo que, justamente com o álbum sobre o qual estas linhas descrevem, rumou diretamente para o estrelato, saltando do degrau “promessa da música alternativa” para o ponto mais alto da escada pop, o “mainstream”, transformando-se de vez num nome de enorme popularidade mundial.

O sétimo disco de estúdio do quarteto de Athens, Geórgia, veio ao mundo em 12 de março de 1991. A música de trabalho do álbum era nada menos do que “Losing My Religion”, aquela que rapidamente se tornou o maior sucesso do R.E.M. nos Estados Unidos e, pouco depois, em todo o mundo.

Ali, a banda deixava de lado o rock de guitarras mais estridentes e abraçava um clima quase folk, com direito a violões em primeiro plano, arranjo de cordas e um fraseado de bandolim que se transformou numa das marcas registradas do grupo.

A faixa, cuja letra faz alusão a perder a fé em alguma situação – e não especificamente numa religião -, tocou em alta rotação nas rádios de todo o planeta, incluindo a Rádio Costazul FM. Na MTV, a dança desengonçada de Michael Stipe e os figurinos e detalhes enigmáticos do clipe da canção só fizeram crescer ainda mais o interesse pela música. Enquanto muitos ansiavam por um formato universal, palatável, o R.E.M. ia na direção contrária. E colhia aclamação de crítica e público.

A próxima música de trabalho do álbum, “Shiny Happy People”, não poderia ser mais diferente do que a primeira. Em vez de sutileza e clima acústico, a faixa era um convite às pistas de dança, capitaneado por uma guitarra contagiante e a participação especial da cantora Kate Pierson, uma das vozes do conjunto B-52’s, baluarte americano da new wave. Bingo: lá estava o R.E.M. novamente nas paradas de sucesso.

Seguiram-se outros singles que, embora tenham causado menos rebuliço no meio musical, mantiveram a qualidade do trabalho lá em cima: “Near Wild Heaven”, com um jeitão de pop sessentista, e “Radio Song”, cuja abertura ainda faz meu coração de 47 primaveras bater mais forte – não tão forte quanto o canto do rapper KRS-One, que também solta a voz na canção.

Parece simples a forma com que o R.E.M. jogou folk, new wave, anos 60 e rap no mesmo caldeirão e obteve como resultado dessa gororoba sonora um disco de sucesso. E talvez seja mesmo. O mais importante já estava ali, no núcleo do quarteto, a partir de seu senso de ética e de estética. Da vontade de fazer diferente e de entregar verdade ao público, mesmo que envolta em confusão sonora ou numa aparente ininteligibilidade.

O grupo, já sem o baterista original, encerrou suas atividades em 2011 e deixou muitos órfãos musicais. Consegui assistir ao show deles em três ocasiões: duas no Rio de Janeiro (2001 e 2008) e uma em Buenos Aires, na Argentina (2008). Foram impecáveis, inesquecíveis. No palco e fora deles.

O R.E.M. não é a minha banda preferida, mas aquela que me dá mais saudade. É a trilha sonora das amizades que ficaram, de velhos sonhos indo embora e novas perspectivas chegando, de erros e acertos.

À frente de tudo, inclusive do tempo, o R.E.M. segue. Ao menos, por aqui.

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