Lançado em setembro de 2025 no Brasil, pela Companhia das Letras, o livro “Bartleby e Eu”, do jornalista e escritor Gay Talese, é uma aula de como contar histórias de uma forma criativa e única, e o mais interessante: com protagonistas geralmente desconhecidos, gente como a gente.
O jornalista americano é um dos grandes nomes do chamado “novo jornalismo”, um estilo que se popularizou a partir de meados dos anos 60, utilizando-se de técnicas literárias para informar sobre a realidade por meio de “tintas” ficcionais.
O livro mais recente de Talese é dividido em duas partes. Na primeira, o jornalista relembra seu começo no jornalismo e os trabalhos que, pouco a pouco, fizeram com que ele fosse considerado um mestre na arte de contar histórias que muita gente não se interessava em relatar.
O eletricista que há 25 anos operava o letreiro de notícias de um jornal, iluminado por quase 15 mil lâmpadas; o repórter que ficou famoso por escrever obituários, textos que anunciam formalmente o falecimento de uma pessoa. Esses e outros perfis já davam o tom do gênio que estava por vir.
Na reportagem sobre Frank Sinatra, escrita por ordem do chefe e sem que Talese conseguisse falar com o cantor, o jornalista atinge o ápice. Intitulado “Frank Sinatra está resfriado”, o perfil se transformou naquele que talvez consiga chegar mais perto de mostrar a essência do ídolo americano, suas qualidades e defeitos, suas luzes e suas sombras.
Após rememorar seu começo na carreira de jornalista, Talese brinda o leitor com a história inédita de um médico de 66 anos que nasceu na Romênia, na Europa, mas que veio a ficar rico nos Estados Unidos.
Dono de um prédio de cinco andares em Nova York, onde também ficava o seu consultório, o doutor Nicholas entra em desespero quando, durante processo de divórcio, é avisado nos tribunais de que deverá entregar seu imóvel à mulher. Ele toma uma decisão drástica em nome do chamado “sonho americano”. E, de repente, o inacreditável se torna real.
Falar mais sobre as histórias do livro “Bartleby e Eu” é tirar muito da surpresa de quem vai ler. Então, caso o leitor tenha se interessado pelo trabalho do jornalista Gay Talese, a dica está dada.
Pode ter certeza: é um caminho sem volta em direção a um mundo muitas vezes ordinário, mas sempre apaixonante.

