Uma senhora usando chapéu, blazer preto e camisa branca posa para a foto ao lado de um menino, um pré-adolescente de 12 ou 13 anos, que está vestido exatamente igual a ela. Ambos estão em frente à sala 1 do Cineshow 3D Angra dos Reis. É noite de terça-feira, 21 de abril, e a sessão legendada de “Michael”, cinebiografia do cantor americano Michael Jackson, está prestes a começar.
Os 125 minutos do filme passam voando, ou melhor, deslizando como um “moonwalk”, famoso passo de dança imortalizado pelo cantor, que faleceu em 25 de junho de 2009. Dirigido pelo americano Antoine Fuqua, o longa narra o período que vai desde o início da banda Jackson 5, na cidade de Gary, Indiana, nos Estados Unidos, no começo dos anos 60, até o lançamento do álbum “Bad”, sétimo disco solo de Michael Jackson, no final dos anos 80.
A opção por trabalhar com esse recorte temporal talvez tenha sido também uma estratégia para não ter que lidar com temas mais delicados, como as acusações de abuso sexual relacionadas ao cantor. O filme tem, sim, algumas passagens mais polêmicas, como a relação de Joe Jackson, pai de Michael, com o cantor, o acidente no comercial da Pepsi, a citação ao vitiligo – doença crônica não contagiosa – e as primeiras operações plásticas feitas por Michael. Mas não tem jeito: o longa captura o espectador justamente pelas partes musicais, o que é um feito especial e perigoso.
Mágica. Não há outra definição para o que é apresentado na tela. Os primeiros anos do Jackson 5, a entrada do grupo na famosa gravadora Motown, os primeiros trabalhos solo de Michael, a produção estupenda de Quincy Jones, a criação de hits como “Don’t Stop ‘Till Get Enough”, “Beat It”, “Billie Jean” e, acima de todos, “Thriller”, são alguns dos momentos inesquecíveis do longa.
Aliás, cabe a “Thriller”, que serviu para dar título ao sexto álbum do artista, aquela que talvez seja uma das cenas mais icônicas da música pop mundial: a parte relacionada à gravação da coreografia do clipe, inspirada em filmes de terror.
Muita gente já viu, já dançou e até decorou os passos de Michael e sua turma assustadora nesse vídeo tão emblemático dos anos 1980, mas, ainda assim, é impossível não se emocionar com a história desse trecho específico da carreira do cantor sendo recontado ali no telão, de forma magistral.
Também é ponto pacífico que o leitor deste texto cairá de amores pelas partes musicais da cinebiografia, ou seja, os shows, muito por conta das interpretações absurdamente convincentes dos atores Juliano Krue Valdi – que faz Michael na fase criança – e Jaafar Jackson, sobrinho de Michael, que interpreta o cantor na fase adulta.
Por mais que o filme não mostre certos aspectos da vida do artista e não explore situações mais polêmicas relacionadas a Michael Jackson, as cenas de apresentações ao vivo, as canções e a trajetória artística do cantor certamente ajudarão o longa a ficar por muito tempo no inconsciente coletivo, assim como seguirão reforçando que a denominação de que Michael era – e é – o rei do pop segue valendo.
“Michael” – Cineshow 3D Angra dos Reis (Shopping Piratas)
Dublado – 13h10, 15h45, 16h10, 18h15 e 20h30
Legendado – 18h40 e 20h50
Classificação etária: 12 anos
Duração: 125 minutos

